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MAGNANIMIDADE

Com a convocação de Neymar para a seleção brasileira, o jornalismo esportivo deste país está dividido.
Além de craque, bilionário e bem afeiçoado, Neymar declarou simpatia por Bolsonaro. Só não come rato porque é independente.
Ódio tomou conta deste país e as redes sociais estão recheadas de pessoas que amam a lei do “olho por olho”.
Gente desejando ver a desgraça do outro. Aqui em Belém, no jornalismo esportivo, há quem deseja me ver pelas costas. Gente que eu ajudei num passado não muito distante, e com dinheiro.
Somos autores das nossas vidas e dos nossos atos e, na certeza, de que um dia o tempo nos cobra, porque somos produtos das nossas escolhas.
O que exporei neste texto nasceu de uma divergência, da vida que levo como jornalista esportivo nesta terra que me deu régua e compasso, e que minhas linhas “amargas”, às vezes, fere suscetibilidades, e lá vou eu bater ponto perante ao (a) magistrado (a). No entanto, nunca fui algemado e preso.
Um dos meus textos, neste “condomínio”, precisou de “reparos” por determinação judicial, porque expus moralmente o ex-presidente bicolor, Luís Omar Pinheiro. Humildemente, obedeci. Apaguei os termos “ofensivos”.
Entendo que se tenho um relacionamento que necessita de “reparos”, estou pronto a pedir desculpas por entender que o erro não está todo de um só lado. Tem sido assim o meu jornalismo esportivo nesta terra.
Este jornalismo esportivo desgraçado é sequência do que vivo nas entranhas do futebol paraense havia 48 anos, e que a maioria não aceita…
Mas em minha jornada jornalística nem tudo está perdido. Sempre há um “anjo da Guarda” que me abraça e me protege.
Se não houvesse almas físicas no ambiente hermético, sisudo, sério, com olhares de soslaios e carrancudos como é uma sala de audiência, eis que no ambiente surge uma luz na figura de uma mulher com aura que envolveu a todos os presentes.
Saudou-nos. Olhou atentamente para os contendedores e disse: “Dois ‘mucurentos’ brigando”.
“Quebrou gelo”. Gargalhada geral…
A juíza da 10ª Vara Criminal de Belém usou da psicologia que uma magistrada deve saber para tentar acabar com a contenda. “Forma diferente” de fazer com que eu e Luís Omar nos abraçássemos e tudo estava acabado.
Marco Antônio Pina, que me acompanhava na audiência, disse que de tudo que já presenciou em audiência jurídica, “a magistrada foi genial, demonstrando espírito magnânimo no ato de julgar”.
Batido o ponto, saio pensando no “Bhagavad Gita”, o livro sagrado dos hindus: “Eu sou o princípio, o fim e o meio”, que Raul Seixas cantou nos anos 70.
É o que há!
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