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NOSSAS TOLICES

Rogo a Deus – o meu que é rico, poderoso e festeiro – que me dê lucidez e paciência pra lidar com a imbecilidade coletiva.
“Quero ouvir da sua boca o que você viu do seu time, do novo Mangueirão e da torcida?”.
Francamente, o que um verdadeiro jornalista pensa deste tipo de pergunta para o um técnico de futebol, após seu time tomar de 2 a 0, e não ter visto a cor da bola?
Se Jaime Bastos fosse vivo estaria dando sonoras gargalhadas.
Aliás, foi um dos gênios com quem trabalhei, no rádio, e aprendi muito do que sei e pratico nos dias de hoje.
Não é da minha conta o que pensam, do que falam deste velho jornalista, tenho medo de ser pacóvio e não saber perguntar aquilo que vi. Se eu não vi e nem soube fazer “leitura”, calo, mas não serei ridículo, fazendo pergunta que no fundo o técnico está sabendo que eu não vi o que ele viu… Ele fica em situação confortável. É uma “nhanha”, pra não lembrar o “pau-de-sebo” do Wanderley Luxemburgo.
Eu, Paulo Fernando, Nelson Torres, Adonai do Socorro (ainda vivos) somos de um tempo que víamos as jogadas ensaiadas nos coletivos e entrevistávamos os jogadores na saída do banheiro.
Os comentaristas das rádios e os colunistas de papel se embasavam nos nossos noticiários para produzirem seus conteúdos.
Jogadas ensaiadas, cobranças de faltas a gente “cantava o lance” fazendo ponta de gol, porque a gente assistia aos coletivos e como os técnicos armavam suas equipes.
Vi e aprendi. E quando não entendia, indagava.
Na Curuzu e Baenão, vi, Paulo Amaral, Jouber Meira, Carlinho, César Moraes, o Guri”, Givanildo Oliveira trabalharem posicionamentos dos zagueiros, mostrando a marcação com intensidade e a concentração nas bolas altas, e como deveriam sair jogando. Posicionamentos dos atacantes dentro da área…
“Rondo”, na Europa; “bobinho”, na Espanha, aqui “roda de bobo”, eu vi, antes dos treinos com bola, jogadores praticarem, em círculo, um toque na bola rápido ao companheiro sem que o que está dentro da roda toque na bola, ou seja, recupere-a. Isso durante 15, 20 minutos.
Um dia indaguei ao “Guri” a finalidade da “roda de bobo”: “Treinar os atletas a ter visão do companheiro mais próximo no toque curto e veloz”.
Será que alguns desses autodenominados repórteres sabem o significado da “roda de bobo”?
Não estava no Mangueirão, vi o jogo pela TV, mas dá pra observar que o time do Remo não marca, é espaçoso entre suas linhas e alguns jogadores não são tudo aquilo que nós da imprensa cantamos em verso e prosa.
Enganaram o dono da “casa da moeda”, literalmente.
Verdade que Condé não teve tempo de ajustar as peças, mas o time azulino continua uma “colcha de retalhos”.
Zaga não marca com intensidade.
Picco, o cara dos dez milhões de reais, não tem mobilidade; Alef Manga arrasta os seus marcadores, mas não acerta o alvo.
Time do Remo não sabe o que é avançar de forma agrupada em velocidade da defesa para o ataque.
Léo Condé foi certeiro em afirmar, na coletiva, que terá que “trocar o pneu do carro em movimento”.
Cá pra nós: viva o Guto Ferreira que assumiu o time azulino em tempo de descontrole tático e arrumou as peças nos seus devidos lugares e classificou o Remo.
O técnico deveria ter assumido o time antes do RE-PA para demonstrar à imprensa e à torcida que não “mija pra trás”.
Condé terá que conviver com as “incertezas, acasos, incidentes e acidentes do futebol” e, nós da imprensa, com às nossas tolices…
Com um adendo: sou fiel seguidor da filosofia metodológica de Erasmo Carlos: “Podem vir quentes que estou fervendo”, mesmo sendo um velho de 76 anos de idade, no momento “baleado”, desses, 54 pisando na praia do futebol.
Ainda bem que há um Nelson Torres pra fazer a diferença.
É o que há!
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