Uncategorized
“DESCONSTRUÇÃO”

Penso que os chefes de cozinha, estilistas de moda e escritores estão entre os maiores inventores “desconstrutores” das suas artes.
Exemplos: os bambambãs em gastronomia reinventam um prato já existente, por tanto, descontrói o que existe para construir uma nova realidade.
No Ver-o-Peso, a Tieta, boeira da boa, reinventou um vatapá: de açaí. E foi premiada pela Prefeitura de Belém.
A Socorro reinventou um mingau de banana com a calda do de milho. Também, no “Veropa”. É a “desconstrução” de um prato reinventando outro de forma diferente.
Guimarães Rosa, na monumental GRANDE SEERTÃO: VEREDAS, reinventou mais e 8 mil neologismos (“estúrdio”, “tresmalho”, “desdoidar”, enfim: “O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre ainda no meio da alegria!”
Nesta mesma “universidade a céu aberto”, que é o Ver-o-Peso, ouvi da boca de um feirante se referindo a outro: “Tu é cuísta”.
Curioso, indaguei: o “que é cuísta?”
Resposta: quem toca guitarra é guitarrista; quem toca bateria é baterista, e quem da o c… é “cuísta”. É o povo reinventando a linguagem, o que parece ser um novo “idioma”.
Domingo, 19, Vasco e Flamengo, vi e ouvi um novo modelo de narração esportiva dinâmica e irreverente: CazéTV, pelo YouTube. Meus ouvidos aceitaram-a.
Comunicação coloquial, retilínea, sem nenhum “vício de linguagem global”: “Jogada aguda”, “minutagem”, “jogador de beirada”, “pisar na área”, “secador”, “camisa de número”, os “garotinhos” da vida – e como têm Brasil afora.
Os “Cazistas” estão “desconstruindo” o que há para reinventar um novo padrão de narrar uma partida de futebol na TV. Palmas!
Que os “papagaios” belenenses se liguem no novo canal e tirem suas conclusões sobre a nova “revolução” de narrar, comentar e reportar futebol.
É o que há!
![]()
