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“O PAU TE ACHA, CACETEIRO!”

Passou um dos mais autorais profissionais do rádio e da televisão brasileiros.
Filho de professora (Julieta) e mecânico de máquinas pesadas (Governo do Território Federal do Amapá), em Macapá, residente na Feliciano Coelho, Trem, Anaice, ainda adolescente, se destacou na Rádio Difusora de Macapá apresentando programa matinal de variedades.
Com a morte de Aroldo Caraciolo, que era o bambambã da Rádio Clube do Pará, Edir Proença, orientado por Guilherme Jarbas (estudante amapaense, que trabalhou na Clube, quando acadêmico da UFPA) dono da “Poderosa”, manda buscar Anaice, bancando casa, mesa e cama, em 1978.
Em maio de 1979, chego em Belém para estudar e tentar trabalhar no rádio, e Anaice me estendeu às mãos. Fui morar na casa dele enquanto eu equilibrava o barco.
Da Rádio Clube pra Marajoara, aonde descobriu sua verdadeira vocação: repórter policial e apresentador da “Patrulha da Cidade”, programa que o ombreou a Adamor Filho (o “Danado”), e a Amauri Silveira.
Não sei precisar o ano, mas creio que na década 90, Anaice chega a TV RBA, e a linguagem dos programas policiais muda, porque o “Filho da professora Julieta” torna-se inventivo, com bordões que passou a ser comum na boca do povo: “O pau te acha”, “O chicote do Povo”, “Caceteiro”, “Prá lá e prá cá”, “Não Venha Forte que sou do Norte”, “Jesus Maria José!”.
Nas bocas e nas dicas, principalmente na periferia, às frases de efeito o levaram à Câmara de Vereadores de Belém e à Assembleia Legislativa do Pará: vereador e deputado.
Passou Anaice, mas seu estilo é eterno e único.
Dá última vez que me cruzei com Anaice, há 2 anos, revelou-me que um dos seus maiores prazeres era curtir a condição de avô. “Ando abestado com o meu netinho, que me torna criança”. O “caceteiro” nunca perdeu o ser criança, e, à brinca, ao lado de Deus, ficará “prá lá e prá cá”.
É o que há!
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