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OS “ARQUITETOS” DA BOLA

Quando “muleque”, em Macapá, década de 60, eu era viciado em jogo de “travinha”.
Ao lado do monumento de Nossa Senhora da Conceição, bairro do Trem, tinha um campinho de areia, e, toda tarde, formávamos 4 contra 4, e o time que tomasse dois gols saia e dava vez para outro quarteto que aguardava.
Do dinheiro da venda de merenda e comida que eu ganhava da minha mãe, tirava uma “babinha” para comprar um “pneuzinho”, e o meu time era o “pomba-lesa” (explico: não que eu fosse ‘cuísta’, era meu apelido caseiro, porque eu era doidinho).
Então, eu sei o que é ser um jogador “arquiteto” (otimizador de espaço), visão e antevisão de lance, raciocínio lógico, rápido e passe certeiro.
Na frente ou ao lado da área, um passe bem dado é meio gol.
Pikachu, oriundo do futsal da TLB, me enche os olhos quando ele se infiltra pelo meio, em diagonal, e conclui pro gol. É marca do FUTSAL.
O passe bem dado é cada vez mais importantíssimo no futebol moderno, e o exemplo de hoje foi o Vini Junior, ao se enfiar pelo lado, servindo o Mbappé, que fez o primeiro gol do Real contra o Pachuca.
Se a seleção canarinho masculina jogar no mesmo horário da seleção brasileira de FUTSAL, prefiro assistir ao futebol de quadra. É mais gostoso de se ver. São os jogadores achando limites métricos aonde não tem espaço com passes determinantes. São os verdadeiros “arquitetos” da bola.
Terça-feira, 15h, chego na Vila Olímpico, sob “toró”, encontro Ignácio Neto, 32 (técnico de futebol), Vinícius (executivo) e Caio (analista de desempenho) e abordo o teme com o jovem técnico que comandará o time luso no PARAZÃO e terá uma “pedreira”, no dia 12, contra o Paysandu, decidindo a Super Copa Grão Pará.
“Haverá enxerto da experiência com a jovialidade de atletas que eu comandei no sub-20 da Tuna, e que ficamos entre as 8 melhores equipes do Brasil, na Copa do Brasil, perdendo para o poderoso São Paulo, lá em Cotia, e trago para a Tuna a minha experiência de ter sido campeão mundial de futsal escolar, comandando o time do Santa Rosa, na Sérvia”, disse Neto.
Indagado sobre os pilares do futebol – técnico, tático, físico e emocional -, Ignácio pontuou que esses elementos são “importantíssimos”, no entanto o “drible curto e não errar passe representa o futebol solidário e organizado. Vamos trabalhar pra fazer a Tuna jogar um futebol competitivo”, finalizou e foi pra campo.
O que me dá prazer é ver jogadores (antigamente ponteiros) de beirada desafiando o limite do espaço, a velocidade do corpo e o raciocínio lógico pra achar um companheiro melhor posicionado.
É o que há!
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