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“VOU-TE CONTAR! VOU-TE DIZER, NÉÉÉÉ!”

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Eliércio Santino insiste em dizer que o “radio belenense está morto”.

No contraponto, respeitando a opinião do “venenoso”, afirmo que, com raras exceções, não há qualidade, versatilidade no rádio local.

A nova geração não se compara à do passado em que dava prazer  de aprender e ouvir  Jaime Bastos, o “Neca-Neca; Cláudio Guimarães, o “Moreno”; Jorge Dias, o “da Máquina”; Edir Proença, com sua consagradíssima “opinião não se discute”; Ivo Amaral, o “Camisa 10”, Grimoaldo Soares, José Maria Simões, Gandur Zaire Filho e os repórteres Guarany Junior, Chico Chagas, Agripino Furtado, Jurandir Bonifácio, Paulo Baia, Nonato Santos, o “Trovão”, Adonai do Socorro, o “Xerife” (que era o coringa do rádio, pois fazia tudo), Edalmir Parziale,  Luiz Araújo, o “Gueri-gueri”, Carlos Estácio    e o plantonista Beraldo Francês.

De todos esses nomes, a minha “santíssima trindade”, quando aqui cheguei, em 1979, me encantei: Jaime Bastos, José Maria Simões e Guarany Júnior. Aprendi muito, pois fui comandado pelos 3!

Recentemente, vi e ouvi profissionais de futuro: Hamilton Gualberto, professor Cláudio Oliveira, Paulo Fernando, Nelson Torres e agora, João Maurício, minha cria.

Sempre fui tarado pelo rádio e sonhava um dia, em Macapá, na década de 60, entrar naquela “caixa” e falar.

Quando cheguei na Rádio Educadora “São José” de Macapá, em 1972, fui ser plantonista e me liguei em Waldir Amaral, o “Individuo Competente!!!”, José Carlos Araújo, o “Garotinho”: “Apontou, atirou, entrou!!!”; Fiori Gigliotti, o “É fogo, torcida brasileira!!!”; Silvio Luiz, o do “Olho no lance e foi, foi, foi ele…”; Haroldo Fernandes, o “Camisa 10 do Rádio Brasileiro, da Rádio Tupy-SP; Heraldo Leite, o “Garotão da Galera” e o Alberto Rodrigues, da Itatiaia-MG: “Gol,gol,gol,gol,gol!!!”. Todos inventivos e dinâmicos.

Em Belém, apenas um narrador “passou” e se consagrou pelo bordão que criou: “Neca-Neca” é lembrado até hoje!

Hoje, sinceramente, não me dá prazer ouvir rádio, porque tem narrador “Garotinho, “que sabe o que diz” e dá mais atenção pra “secador” do que propriamente narrar futebol; e há quem seja viciado no “Vou-te contar”! Vou-te dizer!” Pira Paz!

Então, a mim resta ouvir Toninho Silva, o mais dinâmico narrador esportivo do momento no rádio paraense. É minha opinião, mas lhe falta comentarista a altura do seu talento.

E nesta leva da falta de criatividade, surge na TV Cultura um jovem narrador bem afeiçoado, mas o mais descarado “papagaião”: “Individuou competente!!!”. Ressuscitando Waldir Amaral na maior cara de pau.

Em vez de achar … pensar … renovar, se reinventar, e como falta poder cognitivo, então é melhor ser “papagaião” e continuar fazendo as “muvucas do rádio” copiando quem cria sem acanhamento e pensando ser o que não é.

É o que há!

P.S: Perdão! Esqueci de JOSÉ LESSA, a maior moral do rádio paraense. Não era à toa que a cidade só dormiria depois do PLANTÃO DA MEIA-NOITE!

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