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ANIMADOS E FELIZES

“Avenida Paulista, em São Paulo, é o maior centro econômico da América Latina”, dizem os economistas.
Na Amazônia é o Ver-o-Peso, que comercializa de um tudo: do peixão, do pneu de caminhão ao agulhão de pesca.
“Cinco milhões de reais, diariamente, é o dinheiro circulante na feira, na pedra do peixe e na feira do açaí”, diz Lima, presidente do Instituto Ver-o-Peso.
Os “bicheiros” se matam pelos pontos de banquinhas do jogo do bicho. Houve época, num passado não muito distante, que havia o bingo do xiri, às 12h, com roleta móvel instalada num ponto da feira, com a cartela custando dez reais.
Quem fizesse o quino era premiado com a “gostosinha”, que era levada para um quarto com direito a uma hora, pago, pelo “banqueiro”. O que não faltam são os “morredores” nas cercanias da feira.
“Tabaco do índio”, “meladinha” e “charo” são vendidos a céu aberto a qualquer hora do dia e da noite.
Após RE-PA, quem quer que ganhe, o gostoso é o “sarro” entre bicolores e azulinos na santa paz: “Com a lanterna cheia de pilha, o lobo cacetou o leão”, gritavam os bicolores ao comando do “reitor” da maior “universidade” livre da América Latina, Didi, que cedo, nesta segunda-feira, 23, servia café, caldo de mocotó e espalhava sol grosso em derredor da sua banca, gozando os azulinos.
Vi, ouvi e ri dos momentos felizes dos bicolores, saboreando um gostoso caldo de mocotó, servido no copo, preparado pelo “seu” Severino, o mais famoso garanhão do Veropa: ele tem cinco mulheres a sua disposição e todas se dão bem, participando da mesma mesa no almoço de sábado no seu boxe no mercado de carne.
Na semana do RE-PA às apostas são definidas entre feirantes, comerciantes, balanceiros (recebem o peixe da geleira e comercializam na pedra) e os donos dos barcos, que chegam diariamente com toneladas de pescados de águas doces e salgadas.
A vaidade é aparente pra ver quem tem mais “baba”. Em reais, os “baludos” fecham às apostas altíssimas: ao acreditar no Paysandu, um balanceiro ganhou de um exportador de pescado (dono de caminhão frigorífico) 50 mil reais, pago via pix.
Não existe natureza efêmera no Ver-o-Peso, porque todos, que lá vivem ganhando o pão de cada dia, são animados e felizes.
É o que há!
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