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É MESMO?! 75, O MILAGRE DA VIDA!

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Chego aos 75 anos de idade esbelto, cheiroso, estiloso e bem aprumadinho.

Meu coração bombeando 343 litros de sangue por hora, e nos últimos 365 dias movimentou 3 milhões de litros e oxigenou dez trilhões de células – é o milagre da vida!

7 de outubro de 1950: à margem esquerda do rio Amazonas, a 60 km do Oceano Atlântico, sob a Linha do Equador, em Macapá, nascia José Maria Trindade Pereira debaixo de uma lua bochechuda. Era noite de luar, segundo Tia Maria.

Cresci brincando na Praça Nossa Senhora da Conceição, no bairro do Trem, e ouvindo o “bumbumbum é o surdo que beleza, bumbumbum é o canhão da Fortaleza”, de São José[i] de Macapá; irrequieto, estudando e lendo paleógrafo, hábito despertado pelo meu pai, o Pereirinha, que me mostrou exemplos de forma espartana, encaminhando-me para o trabalho, que no pensar dele era o grande formador do caráter humano.

Taludinho, empurrava o carrinho de tacaca da Tia Maria para uma das esquinas da Escola Doméstica, na Jovino Dinoá.

“Vamos trabalhar, meu filho, que de hora em hora Deus dá”, bordão predileto de minha mãe, sempre, em tudo, colocando Deus na frente.

Com a consciência formada, década de 60, o mundo fervilhava com o movimento contracultural e à guerra do Vietnã, Hippie.

Beatles, Rolling Stone, Bob Dylan, Pelé, Cassius Clay, Santana, Jovem Guarda, Woodstock, Papa João XXIII, e um rádio Mulard, do papai, eram minhas “cegueiras”.

Muita taca peguei para não tocar no rádio do Pereirinha, mas eu, pensava: um dia vais me ouvir falando dentro desta caixa. Sonhava… E onde estou hoje? Os sonhos passam por pessoas.

Na América Latina, Fidel Castro e Che Guevara eram os nossos “heróis” revolucionários, para depois de muito tempo, após metanoia, somente agora, intuir que foram dois monstros e, por aqui, ainda tem político patife engravatado que endeusa esses assassinos.

Atravessei 4 baias – Macapá, Vieira, Arrozal e Guajará – para chegar na UFPA. Estudei e conquistei 3 diplomas: Letras, jornalismo e pós graduado em gêneros textuais.

Deparei-me com a maconha. Fumava pra fazer a cabeça. Gostei, transava às margens do Guamá. Viciei-me.

Lutei, penei, comi raspa de pernil (levava do Big Mengão, em Nazaré, o osso) na “república”, na Parquis, e sempre sonhando em ser repórter.

Tia Maria me mandava 200 cruzeiros para pagar despesas da casa aonde morava e passagens dos coletivos.

Lavei carro ao lado do Teatro da Paz e vez por outro dava num “charo” com o baiano.

Nas horas vagas, perambulava pelos corredores da Rádio Marajoara: foi pelos Diários Associados que começou minha trajetória profissional: indicado por José Travessas sentei na redação do Jornal da Tupy, em Belém, gerado pela TV Marajoara, canal 2.

Lá um dia, Zaire Filho me indica para José Maria Simões, chefe da equipe de esportes da Rádio Guajará, em 1980. A curica empinou.

Lecionei redação, gramática, literatura brasileira por  35 anos, inclusive no “Rego Barros”; Passei por Rádio Clube, Rádio Liberal, Rádio Cultura, Jornal Diário do Pará e hoje, pela quinta vez, no grupo Marajoara de Comunicação do Carlos Santos.

Fiz cobertura da posse do ministro Jader Barbalho, em BSB; RE-PAs perdi a conta, a maior festa religiosa do mundo, o Círio de Nazaré, vivi às entranhas como repórter; Por cinco vezes fui repórter no Maracanã; vi o Cruzeiro ser campeão brasileiro em 2003 sobre o PSC, no Mineirão; fui correspondente da rádio Cultura, no Rio de Janeiro, em 1994, quando aconteceu o primeiro grande sequestro no Brasil, do empresário Abílio Diniz, dono do Grupo Pão de Açúcar.

Tentei me adaptar à Cidade Maravilhosa, onde assisti aos grandes shows, no Maracanã, de Rolling Stones a Frank Sinatra, mas não deu liga. Voltei sozinho e por lá estão meus dois filhos e a ex-gostosinha, dona Fátima.

Da margem esquerda do Amazonas cheguei à margem direita do Guaíba (RS) e vi a ponte levantar para dá passagens aos navios.

Atravessei o Atlântico e pisei em Monique e Berlim, em 2006, passando por Paris, Milão e Lisboa. Duas Copas do Mundo e uma Olímpiada: vi, em 2016, o Brasil ser campeão olímpico, no Maracanã.

Neste longo caminho da vida, deparei-me com canalhas, mas as almas bondosas foram meus “anjos da guarda” que estenderam às mãos e me fizeram somente o bem por acreditarem em mim.

Roberto Jares Martins (gerente dos Diários Associados, em Belém), Jorge Dahas, joão Braga de Fárias Jr., Geraldo Rabelo, Chico Ferreira, Família Aguilera, jurandir Bonifácio, Agripino Furtado, Zezinho Alírio, Francisco César, Joércio Barbalho, Eliercio Santino, Rominho e Ronaldo Maiorana, Carlos Santos, Felipe Fernandes, Raimundo feliz, Adelcio Torres, Jones Lara Tavares, Leandrinho e, por último, Fred Carvalho por reconhecerem meu trabalho e respeitarem minha natureza. Com Fred não deu mais certo, mas o respeito será eterno.

Sou um velho de poucos amigos e os meus melhores parceiros são meus livros (tenho mais de 300 obras) e o último que li – A Assinatura de Jesus, do monumental Brennan Manning – aprendi que para seguir “Jesus a essência está em viver pela fé e não pela religião”. Sensacional!

Já não ia, agora que não vou mesmo, à igreja dá dinheiro pra “camelô da fé”. Sou deísta.

Sou fã da ação caridosa. Prática que aprendi com minha mãe.

Ao contrário de Machado de Assis, em “Memórias Póstumas de Brás Cuba”, que num dos excertos da obra afirma que “morro e não deixei legado de miséria ao mundo” (por não ter gerado filhos), pois eu, se morrer hoje ou amanhã, morro feliz, porque olho pra trás e vejo meus 6 filhos educados, encaminhados e independentes (empresário, jornalista, advogada, assistente social) e apenas Mateus está sob minhas finanças, mas se eu “passar”, ele tem casa, carro e fica recebendo a minha “babinha”.

Aos 75, celebro silêncio, solidão e escuridão, leitura, trabalho pra pagar minha vaidade – comer bem, dormir tranquilo e amar sem me “dopar” –  sem me importar o que pensam de mim; isso não é da minha conta, posto que eu não quero ter razão, quero ser feliz.

O conteúdo deste texto é realíssimo: produto de sonhos sonhados e todos concretizados com coragem e determinação.

É o que há!


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