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PENSAMENTO DUM VELHO VELHACO

Era uma vez… um velho velhaco e macambúzio que gostava de falar, ler e escrever.
Essas atividades não eram passatempo, eram apostolados…
Quando ele começava a trabalhar a palavra escrita, pensava nos pacóvios, porque estes não mergulham na tessitura de um texto com profundidade e não procuram entender a força que o verbo tem para que ele, o velho, fraternizasse-se com Deus, que é rico, poderoso e festeiro.
Filosofando, o velho afirma: quer conhecer o imbecil? Dê-lhe um som ou mande ele escrever um texto…
Quanto mais alto o som, maior é o imbecil. Quanto mais extenso for o texto, maiores são as faltas de concordâncias – nominal e verbal – e pontuação incorreta.
Quer conhecer o mau-caráter brasileiro? Dê-lhe um carro.
Lealdade e gratidão eram as principais virtudes do velho que não conseguia ver defeitos em amigos, e se via, calava…
“Amigo a quem devo favores, não tem defeito”, bradava o velho aos 4 cantos da cidade.
Certa vez um amigo do velho cometeu crime monstruoso e foi tão cruel que o mais “rabo de cabra” dos advogados não abraçou a causa.
O lobista foi condenado e no “veneno” foi abandonado…
Um vez por mês, o velho velhaco percorria 40 km (80 ida e vinda) pra levar o conforto “epafroditiano” ao amigo em “solitária”.
Os dois se abraçavam e choravam no silêncio do cubículo.
Gostava de silencio e solidão, então o velho criou seus “condomínios” para expor seus artifícios, mexendo com as insensibilidades dos imbecis.
Não entendem a pluralidade do silêncio, mesmo sabendo que um texto contextualizado nas entrelinhas (de igual modo) estimula infinitas interpretações, mas não quer dizer que todos sejam aceitáveis.
No mundo sem fronteiras, o velho verbalizava diariamente sobre o tempo ucrônico e, ocultamente, sofrendo porque amigos cometeram pecados “imperdoáveis”, como se o mundo fosse acabar para quem está “melado de graxa”.
O velho, que nunca mijou pra trás, num papo reto e audacioso, sem enigmas, no final, o septuagenário rogou respeito ao drama de quem sofre por ter errado.
O velho sabe que a imperfeição é a principal característica da condição humana, e não permite que nos seus “condomínios” os “perfeitos” vomitem suas bílis sobre àqueles a quem não toleram porque erraram.
“Quem não erra?”, indaga o velho.
“Quem permite que se fale mal de um amigo dentro do seu ‘condomínio?’”, questiona o velho velhaco.
Finalmente, o velho afirma que nunca quis ter razão, o que interessa é ser feliz. É pra pensar!
É o que há!
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