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SONHOS PASSAM POR PESSOAS

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Em sua obra O REINO DE DEUS ESTÁ EM VÓS, Tolstói, num dos excertos, afirma que “A única força que tudo dirige e à qual obedecem aos indivíduos e os povos foi sempre a da opinião pública, essa potência impalpável, que é o resultado de todas as forças morais de um povo ou de toda a humanidade”.

A essência das orações está em duas e palavras: “opinião pública” e “morais”.

Neste texto rogo ao meu Deus – que é rico, poderoso e festeiro – que não me deixe faltar a lucidez de pensamento e a mais profunda gratidão a quem dedico estas singelas linhas.

24h antes do pleito bicolor que reelegeu Maurício Ettinger, no SHOW DA CIDADE, da Rádio Marajoara, apresentado por este “setentinha”, revelei que sonhava ver, quem fosse eleito, que se espelhasse no espírito de união de Ricardo Costa Rezende, que em 1996, ao assumir o trono bicolor, o Clube não tinha crédito para comprar um pão na panificadora do português, e devia todos os hotéis de Belém, porque o time concentrava e não pagava.

Rezende buscou forças em Miguel Alexandre Pinho, Maurício Santiago, Sérgio Chermont, Antônio Carlos Trindade de Moraes, Naif Daibes, professor Gemaque (dono do grupo Impacto), Miguel Afrânio, Toninho Assef, Artur Tourinho (que tirou Jobson de dentro do Baenão) e os irmãos Maioranas (Rominho e Ronaldo) e outros que não me vem à memória.

Cada um desses “baludos” se responsabilizou pela contratação de um atleta, e o Costinha foi o “vigia” de concentração.

Primeiro ato: Rezende negociou com todos os donos de hotéis e o Paysandu voltou a ter crédito.

Joãozinho Rosas, o técnico, comandou um timaço: Agnaldo, Belterra, Paulinho, Jobson, Júlio César, Sérgio, Marcelo, Maracanã e Zé Augusto

Resultado: em 1998, Paysandu campeão invicto!

Ao final da temporada, Rezende reúne seus “Epafrodito” e, num convescote, a cada um presenteia com uma medalha de ouro maciço com escudo do Paysandu como forma de agradecimento.

Terça-feira, 6, deixo a rádio e ao entrar no “pretinho” recebo ligação de Rezende, emocionado, agradecendo pelo que revelei no programa: “Zé, estou acamado, mas ouvi o que você disse. Obrigado, e continuas no meu coração…” não resisti. Chorei!

Na época, eu apresentava o BOLA NA ÁREA, na Rádio Liberal, e à noite lecionava no “Costa e Silva”, na 25, por detrás do Bosque Rodrigues Alves.

Rezende sempre topou comigo e eu sempre o respeitei, e em nossos encontros ele manifestava interesse em me ajudar: quis me dá um título de sócio do Paysandu, recusei; título da Assembleia Paraense, não aceitei, e um dia ele me indagou qual o meu sonho? “Ter uma rádio minha!”, respondi. “Procura que eu compro e tu vais comandar!” Nunca encontrei esta emissora, mesmo porque nunca me interessei.

Passados alguns anos, num dia do mês de março, por volta das 18h, margeio a calçada do jornal em direção ao “Costa e Silva”, e começa a chover; paro no portão do jornal.

De repente, da abertura de uma persiana envidraçada, ouço os gritos e a mão me chamando: “Ei Zeca, vem cá!!!”. Olho e não identifico. O agente de portaria diz: “É o ‘seu’ Ronaldo te chamando. Vai lá”.

Não me fiz de rogado. Caminhei. Tomei elevador e cheguei à frente da senhorita Rosalina: “Entre. O Ronaldo lhe espera”.

Ao entrar no luxuoso gabinete, deparo-me com Rominho, Ronaldo, Ricardo Rezende, Guarany Jr (depois saiu) e outros homens bem afeiçoados.

Sentei e comecei a ser sabatinado como eu apresentava o programa e se eu não tinha medo de andar sozinho a pé. “Não!”.

Ricardo Rezende olha pro Rominho e diz: “O melhor repórter esportivo do Pará anda a pé e trabalha contigo. Dá um carro pra ele!”

“Zé, procura um carro seminovo na faixa de 7 mil reais. Ronaldo, autoriza a dona Rute e doar 7 mil reais para o Zé!”, sentenciou Rominho.

Deixei a sala não acreditando…

Cheguei no colégio abatido pela emoção e pedi licença pra diretora e fui dispensado de ir à sala de aula.

No outro dia fui na loja do Manoel Monteiro e lá estava o meu sonho: um fiat uno mille, no valor de R$ 7,5 mi. Falei pro Manoel o que se passava. “Traz o dinheiro que vendo por 7 mil reais”.

Vou ao jornal O LIBERAL, e quando adentro ao gabinete da dona Rute ela me recebe: “Está aqui o que o Ronaldo mandou eu lhe entregar!” Um envelope amarelo e dentro a “baba” na liga.

Num taxi cheguei na loja e joguei no peito do Manoel a pacoteira. Abriu, conferiu e disse: “Passa amanhã que os meninos vão regularizar o carro no seu nome!”.

E a partir daí nunca mais fiquei sem carro…

É impagável o que você, Rezende, fez por mim, porque passei acreditar que meus sonhos passam por pessoas de bem, de ótima índole e de coração bem-aventurado.

É o que há!

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