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DÂNDI E O “DESERTO” DA VIDA

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Às 8h45 de terça-feira, 4, me abateu um profundo desânimo.

15’ para entrar no ar e pilotar o SHOW DA CIDADE, da Rádio Marajoara.

Atendo o celular: “Sabes que teu amigo Magnata sofreu AVC e está na UTI do “Porto Dias?”.

Literalmente, sem teto e chão, me faço de rogado e duvido do Bororó, que está do outro lado da linha.

“É verdade!”, confirma Maurício Bororó.

Aciono meu “amante” que não me coloca em contato com “Magnata” e a ansiedade generalizada toma conta deste velho de 72 anos de idade.

Olho o relógio e vejo que tenho 5’ para me refazer da preocupação excessiva, e do alto da montanha de 88 metros olho pro horizonte e vejo o sol raiando acima das águas do rio Guamá.

Rogo a Deus para que passe essa “tormenta” que me deixa com vontade de chorar e descer a “montanha”.

Telefone soa: “Marco deixa a UTI e está no “ap” sem poder andar e enxergar, mas, fora visão, os outros sentidos estão respondendo positivamente”, informou acompanhante.

Respiro aliviado. Entro no ar com a “pororoca” do rádio brasileiro.

O “furacão” que havia dentro de mim passa, e penso nas graves e desmedidas contrariedades que há entre mim e alguns “Epafroditos” que me toleram.

Nenhum se livrou das minhas rabugices: Paulo Fernando, Carlos Alberto Melo de Alverga, Lino Machado, Raimundo Feliz, Eliércio Santino (com quem vivo teimando, porque insiste em dizer que o “rádio tá morto”), Agripino Furtado e o “Dandi de alta linhagem” (advogado Marco Pina), que eu o levei para o rádio e se consagrou como generalista em temas político partidário, policial, jurisprudência e futebol, que manja muito, mas me deixou, porque ele tem mais que cuidar dos seus clientes como advogado e dono de academia, e eu não tenho dinheiro para pagar o que merece.

Ao descer o monte, insisto em chamá-lo, e depois de alguns minutos ouço voz embargada: “Obrigado, amigo, pelas palavras. Estão me telefonando e me disseram da sua gratidão por mim. Não posso falar muito, estou em cadeira de roda e sem enxergar, mas sairei desta”.

Só os homens de bem, de coragem, determinados e tenazes vencem os “desertos” da vida. Logo, logo uma imensa “vereda” se descortinará…

É o que há!

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