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“PAU-DE-SEBO”
Os dois principais fundamentos do futebol são defender e atacar, e vice-versa.
Atacar incessantemente e não conceder espaço ao adversário conforme aplicação didática dos técnicos. Sempre foi assim.
1979 chego em Belém trazendo na mala o sonho de ser repórter esportivo e não demorou muito para eu estar à beira do gramado ao lado de Jurandir Bonifácio, Walfong Fontes Filho, Guarany Jr, Agripino Furtado, Nonato Santos, Adonai do Socorro, Chico Chagas, Waldir Oliveira e outros.
Paulo Amaral, no Baenão; Paulo Emílio na Curuzu, e na Vila Olímpica, Célio do Souza.
Tempo passa e técnicos competentíssimos passaram por Tuna, Paysandu e Clube do Remo: Miguel Cecim, Aloísio Brasil, Paulo Amaral, Jouber Meira, Paulinho de Almeida, César Moraes, Danilo Alvim, João Avelino, Carlinho Silva, Hélio dos Anjos, Givanildo Oliveira, Joãozinho Rosas, Paulo Mendes e tantos que deixaram em cada um de nós – repórteres – seus ensinamentos.
Ficávamos à beira do gramado assistindo treino alemão (ataque contra defesa na metade do campo), e os técnicos ensinando como os zagueiros deveriam se posicionar, e em outra bateria, como os atacantes deveriam agir diante dos defensivos.
Dois-toques: 22 jogadores fora de posição (goleiro era atacante e atacante era zagueiro) com a objetividade de agir com rapidez e sem errar passe. Depois surgiu a roda de bobo (um círculo em que os jogadores dão um toque e passam a bola em velocidade para o companheiro ao lado ou defronte. Quando o jogador que está no interior da roda toca a bola, troca-se de posição). Finalidade: trocar passes entre si em velocidade e não errar. Invenção de Johan Cruyff, no Barcelona.
Trabalho tático no quadro e depois sendo aplicado em coletivo no campo.
Eu, particularmente, aprendi alguma coisa, e diante das minhas inquietações indagava, e alguns técnicos, dentre eles o Gury, me revelavam o que buscava.
Então, após as partidas de futebol envolvendo Tuna, CR e PSC a rapaziada não colocava na boca indagação do tipo: “Faça uma análise de como você viu o seu time jogar?” Tínhamos conhecimento, porque víamos como os técnicos aplicavam seus ensinamentos dentro de campo. Sabíamos que no intervalo, os técnicos corrigiam os defeitos e mudavam os rumos da partida.
O bom técnico de futebol é o que sabe armar estratégia: ação, reação e contra-ataque.
Hélio dos Anjos é mil anos neste conceito.
Na coletiva, após Corinthians 2 a 1 no São Paulo, Wanderlei Luxemburgo chutou o pau da barraca, porque um repórter de TV indagou “qual análise que faria do jogo”.
Tratou-o como “pau-de-sebo”.
Aqui há “papagaios” que não tiram essa indagação da boca, demonstrando desconhecimento sobre o “ditado” do futebol.
É o que há!
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