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AMIZADES GRATIFICANTES

Não sou queridinho e sou homem de poucos amigos.
Fechado em silêncio e solidão, quanto mais velho, seletivo.
E todo santo dia, ao deixar meu cafofo para ir ao trabalho, manhã raiando, dentro do meu “pretinho”, rogo a Deus, que é rico, poderoso e festeiro, para que eu continue produzindo para viver, consumindo para não morrer, pensando, lendo, escrevendo e falando, energizando meu cérebro e reforçando meu caráter jornalístico para que eu seja corajoso e diferente…
Fechado em meu mundo, além dos livros (estou devorando SEM OLHOS EM GAZA – Aldous Huxley) curto Raimundo Feliz, Adélcio Torres, Carlos Magno, Carlos Alberto, Agripino Furtado, Lino Machado, Lino Bentes, Paulo Fernando, Weider Vilhena, Patrick Castelo Branco e Eliércio Santino porque em nós há uma relação em comum: destampar a panela e dividir o pão.
Cedo deste sábado, 25, destampei garrafas e manteigueira e tomei café com o Patrick. “Obrigadinho”.
Há 40 anos, Feliz me doa comida e cestas básicas e os outros gostosinhos vez por outra.
Mas, há um “venenoso” que me surpreende: grita no portão do meu refugiu e me adoça a boca, e eu o recebo com feijão preto recheado de tripa e “cuxito” frito.
Comendo, a gente “rosna” um para outro, porque não concordo com muitas das suas ideias, no entanto, por assim dizer, reconheço que amizade que não resiste divergências, não há relação afetiva.
Não quero ter razão, sou feliz, porque aprendi com estes gostosinhos que amor não é forma, é conteúdo. É aceitar o outro como ele é; vice-versa. Diverge, agora, abraça-se depois.
Meus gostosinhos não são ambiciosos e nem iludidos com o mundo em que vivemos: o futebol paraense. E, às vezes, sou eu que sofro de macambuzice, e tá legal: não valho nada! Penso!
E de repente, mas que de repente, me consolo com os gestos de amizades gratificantes de cada um deles.
“É gratificante e bálsamo para os meus olhos lê seus comentários… que dissertação… Tenha certeza de uma coisa: estarei sempre ao seu lado…” (Eliércio Santino)
Imagino que nossas amizades não serão interrompidas nos cursos das nossas vidas, mesmo porque estou naquela de “segura na mão de Deus e vai…”.
Adendo: A obra de Huxley nasce da epígrafe do poeta cego Milton: “Eyeless in Gaza at the Mill with Slaves (Sem Olhos em Gaza no Moinho com Escravos). Sansão, depois de cegado por filisteus, foi ser escravo em Gaza em condição de tortura. Como cidade, Gaza tem destino infeliz e cruel em 17 mil anos de existência.
É o que há!
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