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EU, MELO E O “SAPINHO”

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Dou um tempo, hoje, para o futebol paraense.

De 1983 a 86 passei por todas às editorias do DIÁRIO DO PARÁ: Esporte, Polícia e Cidade.

Final de 1986, infeliz com que escrevia sobre os poderes executivos (governo estadual, prefeitura, Assembleia Legislativa e Câmara de Vereadores) não tolerando a jactância da editora, mandei-a PQP e me mandaram embora.

Devido meu desempenho como repórter esportivo da Rádio Marajoara, Luiz Araújo me indica para Sérgio Noronha, editor esportivo do jornal.

“Seu” Laércio Barbalho, osuperintendente da empresa, autoriza minha contratação, e passei a escrever no final das tardes sobre o PSC e cobrindo partidas de futebol. Arrebentei com fatos de bastidores do mundo “bandido” do futebol paraense, inclusive com árbitro paraense que se apresentou à CBF com diploma falso.

Acreditem nesta “rasteira”:  num dia de agosto de 1984, Sérgio Noronha chama à sua mesa, eu, Paulo Roberto (filho do Raimundinho Souza) e Luiz Araújo e nos comunica que a editoria de esporte do jornal acertou os 13 jogos da Loteria Esportiva. (À época, todos os jornais brasileiros tinham direito a um jogo grátis). O DIÁRIO foi ganhador único.

Sérgio Noronha nos comunica que abriria uma conta na CEF para que no final do ano dividisse a “baba” entre nós – a inflação girava em torno de 80% mês. Concordamos.

Até hoje não vi a cor do dinheiro. Sérgio Noronha morava num beco no Jurunas e hoje mora na Doca. Será que é feliz!… É mentira, Sérgio Noronha?!

Aos sábados, após fechar o jornal, Joércio Barbalho, eu, Carlos Queiroz (editor de polícia) e Antônio Melo (fotógrafo) marcávamos presenças em mesa exclusiva no LAPINHA.

Numa noite, após várias “talagadas”, sem me consultar, Joércio bate no meu ombro e determina: “Segunda-feira se apresente ao Carlos Queiroz. Você será o nosso repórter policial”.

– Joércio, não sou fotógrafo. Tampinha de Bilha (A província do Pará), Ítalo Gouveia (O LIBERAL) têm carros exclusivos e são fotógrafos, justifiquei.

Na segunda-feira, ao me apresentar no jornal, fui ter com motorista e fotógrafo Antônio Melo, que acertamos como trabalharíamos: ele me apanhava cedo em casa e ganhávamos o mundo das delegacias, PSM e Renato Chaves.

Me mostrou o caminho dos contatos e como chegar junto das feras da área policial. “Não acredita no que dizem. São concorrentes e não dão informação correta. Eles querem nos tirar de rota. Vamos no local”. Valeu a aula!

Num dia de 1984: estou fechando a página policial. Joercio se aproxima da mesa e me diz: “Olha esta foto e faz um texto”. Era imagem surreal: de uma criança com cara de sapo. No verso da foto nome da mãe e local: Porto de Santana a 12 km de Macapá, capital do então Território Federal do Amapá.

Fui á edição de imagem com o “Fantasminha” saber de detalhes: “Zeca, o Melo ao chegar aqui com as fotos dele, mostrei o “boneco” do jornal FRONTEIRA, de Macapá, que será rodado após imprensar o DIÁRIO, pra circular no sábado, em Macapá.

Antônio Melo “roubou” a foto e levou ao Joércio Barbalho, que me levou para textualizar. Assim foi feito.

Preparado o texto, Carlos Queiroz manchetou, em letras garrafais, no frontispício do jornal: FENÔMENO. Na sublinha: O MENINO SAPINHO.

No dia seguinte, 6h, não havia jornal DIÁRIO DO PARÁ nas esquinas de Belém, e os concorrentes atordoados querendo saber como conseguimos a foto. Graças ao “faro” jornalístico do Melo.

“Vais a Macapá”, determinou Joercio, e  em voa da TABA, eu pisava na minha terra, e no táxi comentei com o motorista o fato.  Ele me deu mais detalhes: levou-me ao local.

Entrevistei a mãe (que morava às proximidades de montanha de resíduos de manganês, a 2 km do porto de Santana); fui à maternidade “Mãe Luzia”, na Avenida FAB, centro de Macapá, onde nasceu o “fenômeno” morto, a diretora me revelou que, talvez, devido a mãe respirar odores de lamas produzidas pela   magnetita e hematita (subprodutos do manganês) a criança sofreu deformação congênita e morreu feto.

Final da tarde chego ao prédio da Rádio Difusora de Macapá, na Cândido Mendes, e com autorização do José Machado, diretor da emissora, envio texto através do sistema telex pra redação do DIÁRIO DO PARÁ. Outro “furo” e sucesso de venda do jornal.

Em 41 anos de circulação do DIÁRIO DO PARÁ, penso que ainda não houve manchete de maior sucesso, e que a nova geração de jornalistas da casa deveria conhecer esta história ao ouvirem o icástico jornalista Antônio Melo, a quem sou grato por me orientar no caminho cão do jornalismo policial, que foi uma grande escola que me fez pensar e reinventar como repórter.

É o que há!

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