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“É ALMA! É PAIXÃO!”

Pra fugir o engarrafamento da BR-316, saio cedo do meu cafofo, na manhã de sábado, 2, e tomo café com a minha “sem-par” na estrada de Águas de Lindas.
De buchinho alimentado, ganho imensidão em busca da área que, após alguns 7 km, se afigura aos meus olhos como um paraíso.
Ventos ululantes no rosto de velho septuagenário, vejo e ouço o presidente Maurício Ettinger falando ao telefone com alguém, reclamando de algo que não estava como o esperado…
Olho o estacionamento interno e lembro do autoral César Moraes, técnico bicolor na década de 80, que me deu aulas sobre o futebol: “Quer conhecer um grande time, observa o estacionamento da concentração”. Estava teitei!
Em derredor, árvores douradas. Em mim, pensando intimamente, o êxtase beatificado de rebuscar o passado de quando pisei na Curuzu, em 1983, pela primeira vez, e sendo testemunha ocular e auricular dos fatos de então, e vendo uma nova ordem tomando conta da minha grande paixão.
Perdão, meu fino leitor, mas nunca imaginei que o Paysandu tivesse gente desprovida de vaidade desgraçada, pensasse no Clube de forma macro para às futuras gerações desenvolverem seus talentos como atletas de futebol.
De ônibus e de van torcedores chegando e tomando conta do espaço a eles destinados. Sócios, beneméritos, grandes beneméritos e convidados em grupos conversavam – com certeza – sobre o grande momento.
E eu, igual Velho do Restelo, observava o mundo que me cercava fitado no dono do trono que era o mais procurado e parabenizado pela obra: presidente Maurício Ettinger era um panóptico (exercia o poder de observar e dá atenção a todos).
Sérgio Serra, que eu tanto critiquei, ao chegar me cumprimenta me chamando pelo meu nome; outros, também, exercem o dever das relações humanas, mas outros me dão cara torta ou afloram o beiço pro meu lado como se eu fosse temê-los. Não temo, porque sei muito do passado de muitos dentro do Paysandu e que dizem que amam o Clube. Ainda bem que não tentaram me enxotar da festa, porque sou proibido de adentrar ao ambiente bicolor, mas entro de teimoso.
Encosto no engenheiro André Tavares Martha, o comandante do canteiro da obra, e lhe indago sobre o novo tempo.
“É alma! É paixão! Infimamente, o Paysandu gastou muito pouco do seu dinheiro nesta obra. A grande maioria que está aqui doou material pra que hoje nós pudéssemos entregar este campo, arquibancada de estrutura metálica, banheiros químicos e aquele outro campo será entregue em março do ano que vem”, pontuou Martha.
Quando toquei custo da obra, Dr. André responde: “Fala com o presidente, Zé!”
Ordem dada, ordem executada, mesmo porque sou bem mandado: “R$ 1.300.000,00 (um milhão e trezentos mil) valor da área; R$ 300.000,00 (trezentos mil reais) do portal; R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais) de desmatamento, obedecendo os ditames das leis de floresta; R$ 400.000,00 (quatrocentos mil reais) do Paysandu com folha de pessoal”, confirmação do presidente Ettinger.
O humilde torcedor chegava cantando: “Vamos pra cima Papão!…!
Deixo o “paraíso”, perdido na contemplação de um sol “bochechudo”, um éter azul-celeste e na certeza de que Maurício Ettinger, Roger Aguilera e Fred Cabral possam plasmar em atos às ótimas intenções com os propósitos de que estão fazendo o que sabem fazer – ótima gestão.
É o que há!
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