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“AS PEPITAS”

Enquanto PSC, CR e TLB buscam jogadores fora de Belém, para formação dos seus elencos profissionais, dois captadores ou observadores (“olheiros”) se embrenham nos cafundós da estrada de Mosqueiro (Paricatuba) a fim de assistirem ao jogo entre o Pará Futebol Clube e Inter Belém: 5 a 1 Pará.
Se o investidor Leandro Rodrigues atravessou o Atlântico para passar alguns dias em Belém cuidando da seleção de atletas, no campo da COSANPA, no Utinga, o professor em educação física, Denis Lima, 37 anos, mantém empresa, a Denis Esporte, a serviço de grandes clubes do futebol brasileiro, passando por Goiás, Fortaleza, Cruzeiro, São Paulo, Palmeiras e Corinthians. Não tem em sua agenda nenhuma das “locomotivas” paraenses.
Todos esses clubes pagam à empresa do professor Denis por cada menino indicado: “Minha empesa está credenciada nos órgãos competentes e passo recibo por cada indicação”, confirma Denis.
Na manhã de sábado, 9, no km 8 da rodovia Augusto Meira Filho (estrada do Mosqueiro), tendo como entrada um beco e ao final de uns 200m se descortina natureza exuberante, e no centro um campo de futebol, cercado de jovens, oriundos de todos os cantos da Área Metropolitana de Belém. São sonhos. E os nossos sonhos passam por pessoas.
Davi, 24 anos, volante, chamou atenção pelo futebol vistoso, e pode ser o primeiro a atravessar o Atlântico levado pelas mãos do empresário Leandro Rodrigues para o mundo árabe.
“Sou formado em educação física, mas sonho em ser atleta de futebol, e nunca desisti desta busca”, revelou-me Davi.
Indagado se era “olheiro”, professor Denis me consertou: “Era ‘olheiro’, hoje a terminologia é captador ou observador técnico, é o que sou a serviço dos grandes clubes do futebol brasileiro”.
Da última seletiva, em Mãe do Rio (nordeste paraense), Denis botou olhar num meia de 17 anos e que foi indicado ao Goiás, e que hoje está avaliado em R$ 20 mi.
Minha avaliação: entre criar gado e descobrir jovens atletas, não há dúvida, que a plutocracia futebolística paga “pacoteira” milionária por “pepitas” que estão nos cafundós da Amazônia.
É o que há!
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