Conecte-se conosco

Uncategorized

OUSADIA E O NOVO

Publicada

em

Nenhum profissional da bola, neste país, teve alma, corpo e técnica da seleção canarinho igual Zagalo.

Ele era a cara da seleção brasileira.

1970: Brasil vivia o mais ferrenho momento da ditadura militar comandada pelo presidente turrão Emílio Garrastazu Médice.

Com o advento da EMBRATEL, em 1965, com a finalidade de ligar o país de Norte a Sul, de Leste a Oeste, de infra-estrutura de telecomunicação, a modernidade da imagem direta não chegara em Belém, em 1970.

 TV Guajará, da família Lopo de Castro, era a repetidora das imagens da TV Globo, que recebia os teipes, vindo de Fortaleza, e à noite assistíamos as imagens dos jogos.

Sei disso, porque vim de Macapá, no início de 1970, para servir no Batalhão de Infantaria, na Almirante Barroso, hoje segundo BIS.      Em 1971, início do ano, fui transferido para Manaus.

Por linhas tortas, Zagalo chega à canarinho, após João Havelange, presidente da Confederação Brasileira de Desportos – CBD – ter demitido João Saldanha do comando da seleção, diz-que, por questões ideológicas, porque Saldanha era comunista, e não concordava com a “imposição” da convocação de Dadá Maravilha.

Dino Sani e Oto Glória não aceitaram o convite, e Zagala, do ponto de visto ideológico, era o cara, porque nunca se manifestara politicamente, como morreu e não falava de política partidária.

Chega na seleção, aceita Claudio Coutinho, o preparador físico, que era militar e que foi buscar conhecimento na NASA – Agência Espacial Americana, mas não escalou Dadá em nenhum jogo, a vingança oculta ao sistema político que “fritou” seu amigo Saldanha, que foi seu treinador no Botafogo.

Como técnico, Zagalo contrariou os analistas, que diziam que Rivelino e Tostão não combinavam com Gerson Pelé.

A ousadia do “Lobo” espantou a todos e fez “nascer o novo”: “O time precisa de grandes jogadores, inteligentes, vamos seguir assim”, disse Zagalo. O ataque arrasador: Gerson, Rivelino, Jairziho, Pelé e Tostão.

Táticamente, Zagalo foi visionário e intuitivo, fazendo o ataque canarinho se movimentar variando num 4-4-2, 4-3-3, 4-2-4 ou 4-5-1. Do meio-campo, com Everaldo e Clodoaldo, volantes, nenhum jogador tinha posição definida.

“Quem viu, viu. Quem não viu nunca mais verá de novo”, pontuou Gerson.

Em 2001, estava eu a beiro do gramado do Maracanã, como repórter, vi, ao comando de Zagalo, Flamengo ganhar do Vasco de 3 a 1, com golaço de falta, cobrada por Petkovic. Flamengo tinha que ganhar do Vasco por uma diferença de dois gols. Durante os 90 m, Flamengo não deixou o Vasco respirar.

No ataque, Peti não tinha posição fixa.

Por ser ousado, intuitivo e criativo, Zagalo fez história e deixou legado para o futebol mundial.

E este velho jornalista viu…

Minha discordância: “Vocês vão ter que me engoliar”, dita por Zagalo, é uma expressão popular antiga, que eu ouvia, em Macapá, na década de 60, da boca do meu pai. Zagalo apenas popularizou o dito.

É o que há!

Loading

Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

© 2022 BLOG TUDÃO & TUDINHO Todos os Direitos Reservados