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VELHO, HIPÓCRITA E SUBVERSIVO

Há tempo não assistia a uma partida de futebol na manhã de domingo.
Cercado e indagado por muitos, no Souza, sobre minha decisão de deixar de apresentar o SHOW DE BOLA, da Rádio Marajoara, respondi que só a mim e a direção da emissora interessa, e a ninguém darei o direito de abordar o tema em redes sociais.
Aliás, rogando ao meu Deus, que é rico, poderoso e festeiro, que me dê lucidez e me conduza a um caminho em que eu possa desbravar uma nova “vereda”. Se assim for à vontade Dele.
Sofrendo com a canícula desgraçada, pensando nos atletas de Tuna e Cametá, que estavam em campo, senti compaixão.
Inobstante a alta temperatura, Luquinha arrebentou com o Cametá: fez o primeiro e assistencializou em duas oportunidades, 3 a 0 Lusa.
Paulo Romano, viciado em futebol, foi alvo das felicitações pelos 58 anos de idade, falando de futebol com quem o cumprimentava, e uma dessas figuras foi a presidenta licenciada da Tuna, a professora Graciete Maués.
“Estou cuidando da saúde e espero voltar ao trono em abril, porque desejo terminar meu mandato”, pontuou Graciete.
De repente chega Sandiclay Matos, presidente do Tapajós, e se acomodou ao lado de Paulo Romano, e em sussurros proseiam sobre a marmota dos mil jogos dos amadores sem estrutura. E eu atento.
“Tapajós e CR estava confirmado para o Mangueirão, mas colocaram a boca no mundo e agora o presidente do Paysandu reclama porque o Remo descansa”, disse Sandiclay.
Olhando o jogo e atento ao papo dos meus vizinhos, ambulantes passam oferecendo picolé, laranjinha, água e cerveja… Termina o primeiro tempo.
Sentado num concreto quente, vendo um estádio dotado de alambrado, em mim bate o estado de fulguração, imaginando num momento criativo e renovador para o futebol profissional do Pará, sonhando com uma Vila Olímpica- arena em que todos possam desfrutar de uma praça esportiva aprazível.
Há quem possa me chamar de velho hipócrita e subversivo por pensar e aspirar num futuro melhor para o nosso futebol, porque espaço temos.
Deixo a Vila, pensando nos limites dos nossos dirigentes e, por conseguinte, no suplício de Tântalo, aquele que sempre quer e jamais tem, o que lhe poderia ser dado, mas não tem o que lhe é devido, porque somos incompetentes e imediatistas em se tratando de futebol, e, agora, tudo esperamos do poder público. Viciamo-nos e nada criamos. (Fotos: Osmarino Souza)
É o que há!
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