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VELHÃO

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Ao chegar no hospital da Beneficência Portuguesa, após deixar a “montanha”, deparo-me com um ouvinte que me indaga: “Ei, velhão, porque não apresentaste o SHOW DE BOLA?

Sorri. “Estou acertando ponteiro com a direção da rádio Marajoara”, respondi.

“Te chamo de velhão porque numa entrevista tua com o Hélio dos Anjos ele te chamou de velhão e gostaste. Lembras?”, insistiu o meu gostosinho ouvinte, que após indagar seu nome, se identifica como Juvenal dos Santos, 76, também com o mesmo propósito do meu: fazer exames de rotina.

Subimos ao terceiro andar e, após identificações de praxe, sentamos lado a lado, e o meu “perseguidor” não dá tempo: “Tu gostas mesmo de ser velho? Pois eu sou puto com a velhice!”

“Rio da minha velhice”, respondi.  Sou velho.  Sou feliz com a velhice e respondo sorrindo às pessoas, porque tento mostrar a minha felicidade às pessoas que me chamam de velho. Tento ser Andrea Caschetto, 33, o “Mister Smile” reconhecido pela ONU como o embaixador do sorriso diante das vicissitudes da vida que ele sofreu.

Eis que uma moça chama Juvenal dos Santos, e o meu “inquisidor” desaparece.

E eu fico pensando sobre a velhice, na liberdade de agradar ou desagradar, não se importar com opiniões alheias, ser um velho diferente é o que procuro ser. Prestativo!

Às pessoas que conheço têm ojeriza da velhice, detestam a terminologia “velho” como se fossem imprestáveis e não imaginam que o tempo é o bem mais precioso da velhice, porque a vida está contida no tempo que temos de vida na terra.

Agradeço todo dia ao meu Deus, que é rico, poderoso e festeiro, pelo meu coração bombear 343 litros de sangue por hora e 3 milhões de litros de sangue por ano a fim de oxigenar as mais de 10 trilhões de células que há na minha “velha máquina”.

“A velhice é sobreviver” e eu estou vivinho da silva pensando, falando, lendo e escrevendo, produzindo para viver, consumindo para não morrer.

Não me comparo a ninguém e nem tenho inveja de quem é bonito e rico. Eu sou eu mesmo e não tem outro igual.

Rio mais da minha velhice do que dos outros velhos que não querem ser velhos.

Ao constatar que minha próstata está redondinha, dentro dos padrões medicinais, ri como uma criança, o que chamou atenção do médico que me indagou o que faço para permanecer com ela intacta. “Maria-maricota-com-a-direita-e-com-a-canhota”. “É o melhor remédio”, confirmou o jovem médico.

Antes de deixar o prédio, fui ao gabinete do superintendente da Beneficência Portuguesa agradecer ao empresário Zezinho Alírio pelo zelo dos profissionais do hospital para com este velho que vive na curva da felicidade.

É o que há!  

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