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FAMA E CARÁTER

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Nas minhas idas ao Hospital da Beneficência Portuguesa cuidar do corpo deste velho de 74 anos de idade, encontro quem me dá “moral” no rádio e nos meus condomínios digitais e me questionam sobre o que falo no rádio e meus escritos neste blogue.

Em vez do “amante” (celular), prefiro um livro pra ler e esperar a tela anunciar meu nome, mas mesmo assim sou reconhecido e abordado por bicolores ou azulinos.

Segunda-feira,6, 9h, sentadinho, eis que tenho agradável companhia de um jovem que pede licença, cumprimenta-me e indaga: “Zequinha, quem mais colocou dinheiro nos seus clubes, Miguel Pinho, no Paysandu, ou Manoel Ribeiro, no Remo?

Indago nome: – Davi Valoá, responde.

– Davi, quantidade não sei. Sei que o Miguel chegava na Curuzu com o segurança carregando uma saca de serrapilheira teitei de dinheiro, e no Baenão, Manoel Ribeiro com uma pasta presidente abarrotada de cruzeiro. Dirigentes respeitados, porque tinham a palavra certa e verdadeira e ninguém os contestavam.

– Quem mais, Zequinha, botou a “pacoteira” no Remo? – quis saber Davi.

Não via meu nome no painel e já meio atribulado, com a companhia, mas respondi.

– Raimundo Ribeiro, Hamilton Guedes, Sérgio Cabeça, Pedro Minowa e o último que sei, Zeca Pirão. Satisfeito?

– Te prometo que é a última: eles fizeram por fama ou por caráter?

PQP! Pensei!

Neste momento o painel anuncia: José Maria Trindade Pereira – consultório 7.

– Zequinha, responde no blogue ou no “feice”, que te leio.

Lá pelas 15h chego no cafofo, pensando na pergunta do gostosinho Davi, e como começo a escrever após 19h, eis o que penso sobre se foi por fama ou caráter.

Fama é o que às pessoas pensam de mim. Às vezes é enganosa.

Caráter é quem eu realmente sou.

Miguel Pinho foi o único a dizer publicamente que “pago a minha vaidade”, mas era um homem de caráter espartano e não tolerava ser enganado por jogador e técnico de futebol. Botava pra correr da Curuzu, porque dizia: “Eu ponho, eu mando!” Morreu e não exigiu recibo do Paysandu.

No Remo, Manoel Ribeiro foi cognominado de o “Marechal da Vitória” e este epíteto lhe enchia a alma; Raimundo Ribeiro, quando desafiado pelo Paysandu sobre Dema, espalhou 200 mil cruzeiros na liga sobre a mesa da presidência e chamou a imprensa para testemunhar a compra do meia da TLB. Demonstração de caráter autoritário. Pedro Minowa repassou ao CR comprovante de doação de toda a “baba” que colocou no Clube. Sérgio Cabeça e Zeca Pirão preferem o silêncio.

Adendo: Nem bem senta no trono azulino, Zeca Pirão meteu a mão no bolso e pagou indenização a uma família que o filho morreu afogado em uma das piscinas da sede. E não revelou o valor.

Davi, penso que todos esses homens “pagaram suas vaidades” e nenhum revelou quanto custou às valorizações pessoais e nem pediram recibos dos clubes, pois foram – e são – homens de caracteres retilíneos.

Parodiando o “Advogado do Diabo” (filme de 1997), penso que a vaidade foi o pecado favorito desses cartolas. Pagaram caros!

É o que há!

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