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INCENTIVO, FÉ E PRÁTICA

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Sou “semente” de uma tacacazeira macapaense: Maria de Nazareth Trindade Pereira, 95.

Foi lembrada e será reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) como uma das tacacazeiras macapaenses, ainda viva, residindo na Acelino de Leão, 350, Trem – Macapá, Patrimônio Imaterial, Cultural do Brasil. Não! Não acredito!

Não tem dinheiro que pague meu estado de ânimo.  Estou em transe, porque sou “fruto” de quem me incentivou ao trabalho, que forjou o meu caráter e que o estudo é o caminho futuroso para quem é pobre. “Estude, meu filho, para você não ser o que sou, e o que passo para criar vocês”, incentivava os filhos.

Mãe Tia Maria, como era chamada pela Delblandina, negra fogosa da Vila dos Operários, em frente da praça Nossa Senhora da Conceição, bairro do Trem, vendendo tacaca, desde a década de 60, até início da de 90, na calçada da Escola Doméstica, ajudou o Pereirinha (Guarda Territorial, para depois, com a criação do Estado do Amapá, em 1983, ser transferido para a União) a criar e encaminhar prole de 10 filhos: José Maria, Gerson, Carlos, Cláudio, Vera, Vilma, Socorro, Sônia, Amenadabe e Cairo. Gerson, Carlos e Amenadabe estão em outra dimensão.

Ao longo do tempo, minha mãe construiu reputação de tacacá saboroso, pois governador Anibal Barcelos, prefeito, políticos, empresários e gente do povo, quando vinham do balneário Fazendinha, parada obrigatória no “Canto da Tia Maria” para saborear o gostoso tacaca. Gente bacana pagava além do preço.

Quando sobrava, Tia Maria doava à vizinhança, porque não vendia tacacá requentado.

“Umbora meu filho! Empurra o carro da mamãe! Umbora pro canto vender tacacá, porque de hora em hora Deus dá”, e eu inocente, puro e besta, mas com consciência do mundo, empurrava o carrinho de ferro, e ao estacionar ajuntava os gravetos para fazer fogo no fogareiro que mantinha a goma quente.

Final da década de 70, quando chegou a extensão da UFPA, em Macapá, fiz vestibular por fazer e fui aprovado, e já casado, pai de dois filhos, empregado na Câmara de Vereadores de Macapá e repórter na Rádio Educadora “São José”, encaminhado pelo jornalista João Silva, em mim paira indecisão: vou ou não vou a Belém cursar letras na Universidade Federal do Pará?

Consultei Tia Maria. “Vá, meu filho, que eu lhe mando 200 cruzeiros para você se arrumar por lá!” Com fé e esperança, sonho de ser professor e jornalista esportivo, cheguei na metrópole, e hoje sou o que sou, amando Belém, que me deu régua e compasso, e a partir desta cidade conheci o mundo.

Mãe, tenho orgulho em lhe honrar!

É o que há!

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