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LEME

Profissionalmente, tudo que se propõe fazer tem que ter um leme.
Quando me inclinei a ser repórter esportivo, início da década de 70, em Macapá, procurei ouvir alguém que pudesse me regular: Jornalista, comentarista esportivo amapaense, João Silva.
Chego em Belém, em 1979, e tive a honra de ser admirado por Jaime Bastos, o mais criativo narrador esportivo paraense, o “Neca-Neca”. Foi meu guru!
“Zeca, o repórter ponta de gol tem que revelar o que o narrador não viu numa narração esportiva”, ensinou-me. Jaime não narrava futebol, “cantava” em tonalidade retilínea num gongorismo perfeito.
Setorista, passando por Baenão, Curuzu e Souza, deparo-me com César Moraes, o “Gury”, que me ensinou a não indagar a um técnico de futebol: “Faça uma análise de como você viu seu time jogar”. Os chamados “paus-de-sebo” por Wanderlei Luxemburgo.
Velho, 74, prendo-me ao rádio e a TV para tentar escrever sobre uma partida de futebol. Não está fácil: narrador se preocupa mais com “secadores” e jogar confete em si, e repórter não diz se foi penalidade ou não ou, às vezes, não sabe nem quem fez o gol. Os tempos são outros.
“Futebol é um jogo de erros”, que está assentado em substantivos como técnica, tática, física e emocional, e nos pés a bola rolando colada: o passe, o domínio, o drible, o chute, o cabeceio, o ritmo e os geniais dão drible da vaca, lençol, bicicleta, entortam goleiros e metem tudão.
Quarta-feira, Águia e Paysandu, uma comentarista (que fala bonito, mas pouco lê futebol) me agrediu: “O Águia trouxe árbitro Fifa por causa da linha alta do Hélio dos Anjos”. Desabei da cadeira! Jaime Bastos tremeu na sepultura! Bizarrice! Lembrei do “Sobrenatural de Almeida”! É o caos do nosso futebol.
Neste mesmo jogo, escolheram Biel, o melhor em campo, sendo que a única coisa que fez, foi o gol. Eu vi errado: Jean Dias.
Remo 2 a 1 Tuna, Kelvin mundiou os “artistas” da TV, em vez de Pagani, que, ao entrar no posto do volante Henrique mudou o panorama da partida no segundo tempo. Visão e antevisão do EL PATRON!
Está terminando o PARAZÃO. Tecnicamente, o futebol paraense está carente de prosopopeia, em campo, e na imprensa alguém que faça a diferença.
A dissemelhança pode ser a contratação do zagueiro uruguaio Quintana, que num jogo pela Libertadores, entre Penarol e Palmeiras, após ser agredido, botou pra correr Felipe Melo.
É o que há!
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