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GLÓRIA! 95 ANOS!

A vida só é preciosa, porque um dia acaba. Se ela fosse eterna não seria preciosa.
“E o que ela quer da gente é coragem”, na máxima de Guimarães Rosa.
A vida que passa é um bem preciosíssimo e devemos viver com amor, fé e esperança.
Maria de Nazareth Trindade Pereira, a “Tia Maria” tacacazeira macapaense, simboliza amor, verdade, trabalho, fé e altivez pra viver a vida, que não foi fácil.
Ela resiste diante do implacável tempo, que a tudo destrói, porque não teve vícios (bebida alcoólica, cigarro, farras), viveu pra trabalhar, criar e educar a prole de 10 filhos, fazer caridade e servir a Deus.
Meu Deus, que é rico, poderoso e festeiro, deu-me a felicidade de ser “sementinha” desta dádiva valiosa que é minha mãe: pura, dócil, caridosa e eterno Amor de Mãe.
Se hoje sou o que sou, nesta terra que me deu régua e compasso e daqui ganhei o mundo, foi porque a senhora me incentivou num dia de 1978: “Vá, meu filho, que lhe mando 200 cruzeiros todo mês pra você pagar o seu ‘carbê’” (quarto de beco).
Reflete em mim o amor do “seu” Joaquim, açougueiro do mercadinho 1º de Maio, próximo de casa, pelo Paysandu.
Vendo e ouvindo o que ele dizia do Paysandu que nasceu meu amor pelo Papão da Curuzu.
Tudo começou quando a senhora me mandava comprar fígado ou miúdo de boi, e ao me ver, pesava, embalava e dizia: “Passo de tarde no canto pra tomar tacaca…”.
Nunca vi amor de um ser pelo Paysandu como o do “seu” Joaquim: quando o Remo ganhava do Paysandu, ele não atendia azulinos. E a comunidade sabia.
“Obrigadinho” mãe por viver 95 anos e o orgulho do reconhecimento do estado como bem cultural e imaterial da sociedade amapaense. Guá!
É o que há!
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