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ABRAÇO DE QUEM ME BOTOU PRA CORRER

Final de 1997, time do Paysandu sobe a serra – Parauapebas -, onde permaneceu por 10 dias se preparando para a temporada 1998.
Chico Ferreira, o maior lobista à época deste Estado, aliado da prefeita Bel Mesquita, é o patrono da estada bicolor com estrutura garantida pelo rico município do sudeste paraense.
Eu (rádio liberal) e Paulo Fernando (rádio Clube) acompanhamos a delegação com passagens aéreas até Marabá e de lá, em carro particular (Bad Boy, num, e eu, noutro) subimos a serra e no alto da montanha tivemos cama, mesa e luz e a “pacoteira” no bolso.
Sem ter que meter a mão no bolso (tudo pago), certo dia convidei o Bad Boy pra bordejar a periferia da cidade.
Preferimos deixar um carro na porta do hotel e fomos no do Bad Boy dirigindo, e na zona norte da cidade, encontramos um cafofo, que nos agradou.
Bem atendidos pelo dono, vimos logo de cara uma foto esmaecida do senador Jader Barbalho na parede.
Galinhada nos foi servida, e eu, como de sempre curioso, indaguei o quê daquela foto. “Foi ele quem me deu esta casa. E com este restaurante criei e eduquei dois filhos. Devo muito ao senador!”.
Bad Boy me olhou e disse: “Ele é fodinha!”
2018: bairro Jaderlândia, limite entre Belém e Ananindeua (por detrás do Castanheira) tem uma barbearia conhecida como IAU, e eu, vez por outra, ia ao local cortar o cabelo.
Numa dessas vezes, esperando minha vez, falaram de política e eu caí na besteira de falar que “nunca votei em Barbalhos…”.
Mas, que de repente surge uma velhinha com o cabo de vassoura de dentro da casa e parte pra cima de mim: “Velho FDP, tu vais falar do Helder Barbalho na casa da PQP!!! Aqui não! Quem me deu esta casa foi o pai dele!”. Saí varado e desapareci do local.
Hoje, cuidando da minha “sementinha”, saí em busca de uma barbearia aberta e todas fechadas. Lembrei da IAU. Bati lá.
Com cafezinho, fomos bem recebidos, e a dona ÁREUA sorrindo me disse: “Todo domingo lhe vejo na TV, e o meu filho me diz que você é aquele que botei pra correr daqui, porque falou mal do senador Jader Barbalho. Você está perdoado, mas isso aqui quem me deu foi o pai dele, então, não me interessa o que ele faz, deixa de fazer, pra mim não tem defeito!”. Abraçamo-nos (kkkkkkkkk).
IAU fazendo a cabeça do meu filho, e eu pensando: o gesto de dona Áurea é exemplo de profundo reconhecimento a quem um dia lhe deu um teto.
O mesmo sentimento, tenho por Chico Ferreira, que valorizou os repórteres José Maria Trindade e Paulo Fernando.
Em 1995, Chico Ferreira me colocou dentro da Rádio Liberal, sem antes me dá um carro para me tirar da Rádio Marajoara.
Em 1998, ao comando de Ricardo Rezende, Paysandu ganhou tudo.
Com exemplo da dona Áurea aprendi que relacionamento é atitude, como amor não é forma, é conteúdo.
É o que há!
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