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DEUS E O CAVALO

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De tudo que li sobre o tempo, penso que ele é um imenso dragão que engole tudo que se passou.

Então, não remou o passado!

“Esqueçam o que se foi, não vivam no passado”, diz o profeta bíblico, Isaias.

“O tempo é tão cruel que acaba com o mais puro dos sentimentos”, Nietzsche.

31 de dezembro: minha deliciosa “Epafrodita” e minha “sementinha” foram à igreja, e eu fiquei no meu cafofo, contemplando a natureza, do fundo do meu quintal, ouvindo pássaros, vendo nuvens cinzentas, vindas do Atlântico e, ao mesmo tempo, num panoptismo, curtindo meu Bhagavad-Gita, deitado na minha gostosa “baladeira” sob o toldo.

Esqueço que sou periférico e tenho que curtir o que não gosto: som de aparelhagem. É uma praga essa cultura inútil paraense.

Apago o “amante”. À noite, tranco-me no meu refúgio, e antes de “morrer”, abro meu compendio de sabedoria: “Nós passamos no tempo, tão rapidamente como corrente de água. A vida passa como o sono, como a relva que floresce de madrugada”, diz o salmista.

Definitivamente, antes que eu “morra”, agradeço ao meu Deus, que é rico, poderoso e festeiro, pelo meu coração ter bombeado 343 litros de sangue por hora (8.232 litros por dia), 3 milhões de litros por ano para oxigenar dez trilhões de células que há no meu corpo. “É o milagre da vida”, diz a ciência.

Deus é o maior criador, arquiteto da natureza. Imagina, inventa, elabora constantemente ideias. Deus se renova através da natureza. Tem que ter olhar atento.

O tempo passa, meus vizinhos soltam fogos, gritam pelo “Gostosinho!!!”; estou “morto”, não quero papo com ninguém, quero ouvir o sussurro do meu Deus aos ouvidos.

Silêncio e solidão me fazem muitíssimo bem.

Acordo. Abro a janela e vejo no galho do meu cajueiro passarinhos entre um gorjeio e olhar empinado, bicando cajus. É coisa de Deus, pensei, e agradeci…

Faço asseio e saio. Entro no “pretinho” e rumo pra feria de 25 pra tomar café gostoso. “Augusto Montenegro” e “Almirante Barroso” desertas, sigo pensando e conversando com meu Deus, mas que de repente, na esquina da principal “esteira” da Amazônia com a Antônio Baena, vejo um cavalo na calçada. “É Deus!”, pensei.

Quem passa tira retrato.  Estacionei. Saí do carro e contemplei aquele animal quieto, sem se importar com o mundo ao arredor.

“Deus se oferece aos seus serviçais mais corajosos”, afirma Gustav Jung.

Contemplei. Às pessoas em frente ao hospital (o absurdo que há na porta do Baenão) também curtem a cena inusitada.

Fora do seu habitat, o vi triste. Imóvel. Sendo a “estrela” principal deste primeiro de janeiro na minha visão, porque, inobstante o belo dorso, o cavalo, silenciosamente, extravasava o seu lamento por não estar livre, mas aprendi com o cavalo: que Deus não é forma, é conteúdo.

Saúde e esperança, em 2025!

É o que há!

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