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A NOVA ORDEM E O VALOR DE UM PICOLÉ NO MANGUEIRÃO

No futebol, a Nova Ordem mundial começa a mostrar a cara no início dos anos 2000.
Os “baludos” árabes se voltam para Real Madrid e o Barcelona, ambos têm em comum a cruz nos seus escudos.
Como o mundo árabe é na sua grande maioria islâmico, a Cruz de Cristo não é aceita, portanto, os muçulmanos não admitem o símbolo cristão.
Por uma “pacoteira” tufada de petrodólares, o Real Madrid aceita mudar o seu escudo em troca do patrocínio do Banco Nacional de Abu Dhabi.
O Barcelona, que tem seu berço na Catalunha, e, portanto, a Cruz de São Jorge faz parte do escudo do clube, não aceitou a proposta da Emirates, empresa área dos Emirados Árabes.
Em 2023, o Rei Salman, da Arábia Saudita, funda a Liga Árabe de Futebol e parte pra contratar a peso de ouro Neymar (que assinou com o Santos), Cristiano Ronaldo e outras estrelas do futebol mundial.
O investimento de mais de um bilhão de dólares no futebol no reino saudita muda a economia, comportamento e mexe com a sensibilidade religiosa do povo: a mulherada, que antes se vestia de homem para ir às arenas, tira a burca e mostra a cara e se ombreia a macharada nos campos de futebol.
Meus gostosinhos e gostosinhas, que me dão moral neste “condomínio”, faço este preâmbulo para dizer a vocês que esta Nova Ordem, está chegando em Belém do Pará de forma lenta a partir do momento que o Estado patrocinou a arena Mangueirão, que eu o chamo de “catedral”.
Quem diria que um dia a TV Globo levasse ao ar o seu programa esportivo direto do Mangueirão para o mundo?
Seleção Brasileira jogando e treinando no gramado do Olímpico?
Flamengo e Botafogo decidindo, neste domingo, 2, a Supercopa do Brasil, valendo ao vencedor R$ 12 mi, em uma das mais modernas arenas de futebol do Brasil, o Mangueirão.
Tem gente chegando de todos os cafundós da Amazônia: o Ver-o-Peso, a maior “universidade” a céu aberto do mundo, está teitei de caras novas.
Feiras e supermercados lotados de compradores: é o dinheiro circulando, inclusive a rede hoteleira comemorando os bons ventos.
Este jogo me mostra a briga entre dois “mamutes”: a plutocracia futebolística (representada pela CBF e Metrópoles Eventos) contra o poder de quem tem o direito de fiscalizar a ordem pública: Ministério Público e Defensoria Pública do Estado do Pará tentando fazer valer às leis de proteção ao idoso e do consumidor.
Bisbilhotei e cheguei a conclusão: um ambulante para vender picolé e sorvete nas dependências do estádio terá que comprar ingresso a preço módico, se apresentar com sua caixa no espaço destinado à empresa distribuidora (Ice Bode, que comprou o direito de venda exclusiva), receber uma maquininha da dona do evento (Metrópoles), receber o produto a R$ 8 reais para vender a 15 reais, e, ao final das contas, tira o seu percentual, e o restante dividido entre fornecedor e dona do evento.
O velho truísmo do futebol – jogar por amor -, já era, hoje, é o poder plutocrático das entidades esportivas, dos clubes e das empresas que compram os eventos. O resto que se dane!
É o que há!
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