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“O FILHO DO SEU MENINO…”

Como podemos ter futuro no futebol se não olhamos e não cuidamos das nossas categorias de base?
Os grandes times do futebol brasileiro – de Norte a Sul, de Leste a Oeste – têm olheiros observando a garotada nos torneios de futebol.
Sexta-feira, 7, 14h, chego no portão da Curuzu e observo uma cena de um jovem pai, acompanhado do filho, conversando com o técnico Márcio Fernandes: este do lado de dentro e o Fernando (pai) do lado de fora.
Louvável a atitude do técnico bicolor que ao saber que alguém estava no portão querendo falar com ele, deixou seus aposentos (estava sestando) e veio ter com quem o procurava.
“Eu vou telefonar pra ele pra saber da possibilidade”, respondeu Fernandes e entrou.
“Umbora, meu filho, Deus há de nos mostrar um caminho para você chegar em Santos”, chamou o pai tristonho.
Entro na parada, indagando o que se passa.
“Zé, meu filho, o Benício, 7 anos, pertence a base do Paysandu, e em setembro ele foi a Marabá participar de um torneio, e lá estavam os olheiros dos clubes, e o do Santos não nos largou após o jogo. Tudo que prometeu, cumpriu: nos mandou passagem e eu e ele fomos a Santos, e lá, ao comando do Balu, meu filho e mais uma centena de garotos participaram de “peneirada” e o Benício foi aprovado, e como não temos onde ficar em Santos, voltamos, e eu vim aqui falar com o Márcio, que conhece a rapaziada lá, pra ver se o Santos nos dá moradia”.
No sábado, 8, converso com Márcio Fernandes sobre o Benício.
“Zé, o menino é bom. Conversei com o Balu, responsável pelas categorias de base do Santos, e ele me disse que viu o menino, gostou, mas o Santos não dá moradia para esta categoria, que tem que ter o acompanhamento dos pais”.
Então, pergunto-me: por que o Paysandu não cuida desta criança?
“Dê-me um menino que transformarei num Homem”, disse Sócrates.
É o que há!
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