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É COISA DE DEUS

Ao ver e sentir o cheirinho dela, ouvi o grito de Deus: “A vida não é só prazer, é sofrimento”.
Olho, acaricio seu rosto, coração no tic-tac, mas o corpo inerte e eu falei: “Mãe, é o seu pomba-lesa”. Abre o olho, abre a boca manifestando um sorriso de um ser perdido no tempo.
Afinal, são 95 anos e passou por cirurgia melindrosa.
Minha mãe teve uma vida enriquecida pela vontade de viver. De muita fé em Deus. Obcecada pelo trabalho (tacacazeira) para ajudar meu pai a criar a prole de onze filhos, e, hoje, todos homens e mulheres diplomados e encaminhados na vida. Somente, eu arribei, mas não perdi a consciência de que tudo começou com ela, quando me incentivou a atravessar 4 baias – às de Macapá, arrozal, Vieira e Guajará – para chegar na cidade grande em busca do saber acadêmico.
5 de maio de 1978, nesta terra que estou pisando (a casa era de madeira), ela me disse: “Vai meu filho, que lhe mando 200 cruzeiros para você pagar o seu quartinho!”
Estudei, diplomei-me, ganhei o mundo e hoje vivo na cidade que me deu régua e compasso, Belém do Pará.
Invariavelmente, o que aconteceu com minha mãe é coisa de Deus, e na verdade estou com sentimento despedaçado e superstição que não costumo ter, porque minha Tia Maria não respondeu aos meus afetos.
Perdão meus gostosinhos e gostosinhas, por manifestar a minha condição de um ser fragilizado, porque nada posso fazer por quem me fez criatura.
Milagre existe. E não foi à toa que Cristo levantou-se dos mortos, e, inobstante a minha vida, desde segunda-feira passada, ter sido um vale de lágrimas, é impossível, pra mim, não acreditar em milagre.
Agora, entendo porque os teólogos afirmam que o “milagre desempenha um papel importante na cristandade”.
“No universo incompreensível há um poder superior” diz Einstein.
Antes de tudo fé, esperança e amor; depois de tudo gratidão aos que entenderam meu sofrimento oculto – Fred Carvalho, Roger Aguilera e Maurício Ettinger – e por isso estou aqui, sem qualquer alusão ao nosso Oscar, pelo desejo de ver, abraçar e sentir o cheirinho da minha mãe.
É o que há!
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