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RÁDIO: VELHINHO, TESUDINHO E GOSTOSINHO

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Tenho consciência que os meus sonhos passam por pessoas.

Agora, sentindo o cheirinho desta nova etapa da minha vida, tenho certeza que sonho é uma forma de comunicação. É “uatizap”.

James M. Langston Hughs, poeta, ativista, novelista norte-americano (1902-1967) em um dos seus delírios poéticos…

“Sonho com um mundo no qual o homem já não despreze o homem. Onde reine o amor na terra, onde a paz adorne os caminhos. Sonho com um mundo em que todos percorram as sendas doces da liberdade. Onde a cobiça não cubra de sombras nossos dias. Sonho com um mundo em que brancos e negros, seja qual for a sua raça, compartilhem os dons da terra. Onde todo homem seja livre. Onde a miséria vergonhosa abaixará a cabeça. E a alegria, como uma pérola preciosa, preencherá os anseios da humanidade. Aqui está o mundo com que sonho”.

Foi de um sonho que Jesus (Deus Salva) foi anunciado ao mundo: José, obediente à Lei de Moises, sonhou que Maria conceberia um filho, e que José não deveria a abandoná-la. Assim foi feito.

Quando moleque, papai tinha um rádio MULARD, que era posto em prateleira no alto da parede e somente ele sabia sintonizar a Rádio Clube do Pará, e, à noite, ouvia o REGATÃO VEM AÍ.

Inquieto, com quem falava dentro daquela “caixa”, utilizava uma cadeira para me pendurar e mexer no rádio…deixava fora da sintonia habituada.

“Quem mexeu no rádio?”, indagava pai à mamãe. “Foi o ‘pomba leza’”, respondia

Minha orelha ardia por ser arregaçada para não mexer no rádio, e eu, no íntimo, intuía: “Um dia vais me ouvir falando dentro desta ‘caixa’”.

Fui reprovado em 3 testes de rádio, mas não desisti do sonho e pensava nos puxões de orelhas.

Atravessei 4 baias pra chegar na cidade grande: Macapá, Vieira, Arrozal e Guajará.

Onde estou hoje? Antes de “embarcar”, papai me ouviu falando na Rádio Educadora “São José” de Macapá, 1971, onde iniciei minha carreira profissional.

Antes de “passar”, curtindo “Tia Maria”, via que ela não largava seu “amante”, o rádio.

Indaguei porquê ouvia o rádio. “Meu filho, este rádio me faz saber das coisas que acontecem e às vezes toca música que me faz lembrar do seu pai”.

Certeza: o rádio é velhinho, tesudinho e gostosinho!

É o meu “Deus”, aos 75, confirmando meus sonhos de moleque.

Aos trancos e barrancos, havia 53 anos vivo dentro do rádio, que me ensinou coisas da vida, me fez encarar o mundo e conhecer lugares antes nem pensado em pisar.

Neste Dia do Rádio, a minha gratidão ao patrão Carlos Santos por reconhecer que sou “imbatível” com meu estilo de rádio ousado e linguagem coloquial.

Rádio que é minha “cachaça”, “água” e “sol” e que, a cada dia, me dá tesão pra fazer rádio diferente.

É o que há!

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