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ANCELOTTI, O “PAIZÃO”

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O primeiro técnico “paizão” que eu  conheci, em Belém, foi Paulo Amaral, que tratava o “negão motora” (apelido consagrado por Jaime Bastos), de “meu filho”.

Alcino destoava do grupo, chegando atrasado para o treino, após noitada de farra, e o presidente Manoel Ribeiro multava em seus vencimentos e o afastava do grupo.

Mas, o “paizão” Paulo Amaral, sabendo que Alcino estava num dos quartos da concentração ia à porta, chamava-o, e ao acordar mandava que tomasse banho.

– Você está escalado! Jogue e faça o que você sabe fazer, gols!

O que acontecia em campo, quem é setentão, como eu, sabe o que o Alcino aprontava…

João Avelino, César Moraes, Givanildo Oliveira, Valdemar Carabina, Carlinhos, Fernando Oliveira, convivi com todos, foram técnicos vitoriosos em seus metiês, porque conheciam da metodologia do futebol, mas tinham o olhar atento para o ser humano que os cercavam.

O ato de compaixão desses técnicos mudou a vida de muitos atletas de CR, PSC e TLB.

“Fazer caridade não é pra chegar mais perto de Deus, mas sim para limpar, fortalecer a alma”, disse-me meu amigo “Baralho”.

Agnaldo, o “seu boneco” e Cabinho foram os jogadores que mais vi fazer caridade: pelos corredores do Baenão andava o “buizinho”, adotado pelo Agnaldo, e na Curuzu, o “Paulinho” era parceiro de Cabinho, que comprava roupa, tênis e o levava aos restaurantes frequentados pela “boleirada”, à época.

A marca do “Paulinho” estava na sua cantoria: “Quero você! Quero você… corno!”; “O que que há com sua cabeça, corno!” Kkkkkkkkkkk!

Atualmente, pelo que sei, Marcinho faz coleta para comprar cestas básicas e oferta aos funcionários do Paysandu.

Adotou o “bambam do Paysandu” (Daniel Souza).

Meus finos gostosinhos e gostosinhas, contrariando muitos de vocês, fiz todo este rodeio para chegar no técnico da seleção canarinho, o italiano Carlo Ancelotti, que é “paizão” de muitos jogadores que com ele trabalharam. São muitos os testemunhos dos que estão vivos.

Ancelotti, que tem alma cristã, convocou Neymar sabendo dos problemas do craque, mas é craque e, com uma perna, joga mais que muitos que estão no grupo.

A grande maioria da imprensa brasileira não tolera Neymar porque ele é, declaradamente, simpatizante da bandeira bolsonarista. Os odientos, os impiedosos torcem contra o atleta bonito e podre de rico.  

“Se minha vó tivesse roda seria carro”, Ancelotti disse na lata de todos os jornalistas sobre a convocação de Neymar, e engoliram em seco por não entenderem a linguagem conotativa: “Algo irreal não muda a realidade dos fatos”.

Eis o quê do Brasil nunca ter conquistado um Nobel. Porque o brasileiro adora se vangloriar da desgraça do seu semelhante.

É o que há!

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