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terça-feira, 20 de outubro de 2026
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76: VOZ, ESCRITOS E ESPELHO

Por JOSE MARIA TRINDADEPublicado em 06 de outubro de 2026 às 19:04 · Atualizado em 19 de outubro de 2026 às 13:52— leituras

Chego aos 76 produzindo para viver, consumindo para não morrer.

Não é da minha conta o que pensam de mim ou aqueles que desprezem este texto, porque eu não quero ter razão, quero ser feliz, por ser o que sou, por ter o que tenho e fazer o que faço.

Nesta idade, sem beber bebida alcóolica (que tomei todas), fumar maconha (que dei muitos “pegas”), havia 18 anos, e vivendo para o meu trabalho, cuidando do Matheus (autista) e sendo provedor do meu cafofo, o meu pecado mais gostoso, parodiando Al Pacino, personagem do filme Advogado do Diabo (1997), é a minha vaidade: comer bem, dormir tranquilo e amar gostoso; ler muito e escrever todo dia. É apostolado.

Você pode mangar de mim a vontade, mas nunca comprei viagra ou qualquer outro “intorpecente” para fazer “ai, amor”.  E não compro, porque a minha vaidade está no meu bolso.

Acreditem: não morrerei em cima de “priquito”.   Não darei este prazer para os que não me aceitam.

Para largar os vícios que destruíam meu corpo, não fui à igreja dá dinheiro para “camelô da fé”. Fé e coragem para brigar com o meu corpo e acreditar num Deus – que é rico, poderoso e festeiro -, mas que a sua essência não está em nenhum templo e em nenhuma religião: está na fé. Na fé de Abraão. Na fé que Deus pode curar e pode transformar o homem que tem fé. Acredito!

Que Deus permita que o meu coração continue bombeando 343 litros de sangue por uma hora; 3 milhões de litros por mais um ano para oxigenar os 10 trilhões de células deste corpo que está envelhecido, mas empinadinho, aprumadinho, cheirosinho e gostosinho.    

Minha geração está passando, às vezes sinto o “cheiro da perpétua”, pensando na morte no sentido escatológico (destino final da humanidade), pensamentos abstratos, por ter a certeza que não poderei fugir deste “futuro”. Que me deixe ver Mateus encaminhado.

Só me resta agradecer a Deus e rogar que não me falte –hipoteticamente –  a fé de Abraão, o cajado de Moises, as dignidades de Noé, Jó e Daniel, a funda de Davi, a força de Sansão, a sabedoria de Salomão e o poder cognitivo para escrever do apóstolo Paulo. Isso me basta!

É o que há!

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